Sobrevivência empresarial em tempos de coronavírus

O empresário possui várias ferramentas alternativas que podem ajudá-lo a enfrentar a crise


Por: Eliana Sonja
Data: 15 de maio de 2020
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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus não afetou somente a saúde, mas também provocou caos na economia. Por conta da necessidade de isolamento social, parte do comércio, indústria e serviço teve que fechar as portas e, com isso, muitos empresários estão assustados e sem saber o que fazer diante desse cenário. Uma discussão tensa foi criada na sociedade: salvar vidas ou a economia?

Com a pandemia, novos hábitos foram incorporados graças à tecnologia. Nunca o contato remoto foi tão amplamente utilizado. Mas, ainda que a comunicação entre as empresas tenha dado continuidade, entre indivíduos tem sido cada vez mais menos eficiente. Falta paciência, tempo e disposição para ouvir o que o outro tem a dizer.

É preciso, mais do que nunca, aproveitar essas mudanças bruscas em nossas vidas. Assim, trilhar por novos comportamentos em relação aos conflitos.

Alternativas

E, neste momento, é preciso se valer de ferramentas alternativas para vencer a crise do coronavírus e continuar as atividades empresariais. Dialogar, portanto, nunca foi tão importante e necessário para negociar uma saída menos complicada. Uma boa dica é usar profissionais na área de negociação, conciliação e mediação. Pois eles possuem técnicas que podem contribuir neste momento em que as emoções tendem a dominar a razão.

Nesse sentido, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho publicou no dia 25 de março a Recomendação 01/2020, que trata da adoção de diretrizes excepcionais para o emprego da mediação e da conciliação em conflitos individuais ou coletivos trabalhistas, justamente por conta da pandemia.

Já em 31 de março, o Conselho Nacional de Justiça aprovou a Recomendação nº 63, com orientações gerais a todos os magistrados com competência para o julgamento de recuperações empresariais e falências. A ideia central é justamente aliviar os efeitos econômicos provenientes das medidas sanitárias por conta da Covid-19. Mais uma vez, o uso da mediação é indicado para auxiliar na resolução de todo qualquer conflito entre o empresário/sociedade, em recuperação ou falidos, e seus credores, fornecedores, sócios, acionistas e terceiros interessados no processo.

Lei de Recuperações e Falência

Uma proposta legislativa do deputado Hugo Leal propõe alterar a Lei de Recuperações e Falência. O projeto cria, para esse momento especial da Covid-19, um procedimento de negociação coletiva entre o devedor e seus credores. Ou seja, incentiva os empresários que estão fechando os seus negócios, a dialogarem e negociarem diretamente com seus credores, evitando falências e processos de recuperação judicial.

Outra possibilidade é a recuperação extrajudicial, ainda pouco utilizada no Brasil: em média, para cada 10 pedidos de recuperação judicial há apenas um pedido de recuperação extrajudicial. Com a crise econômica, essa ferramenta pode ganhar terreno. Na recuperação extrajudicial, o empresário busca reestruturar suas dívidas, negociando com seus credores um plano de pagamento. Assim, garante a continuidade de suas atividades. E sem a necessidade de suportar os custos financeiros e de imagem da recuperação judicial.

Repensando novos modelos

As ferramentas acima mostram que o empresário tem várias alternativas que podem ajudá-lo a enfrentar a crise do coronavírus. Enfim, é hora de repensar os modelos vigentes até então. É o momento certo para utilizar o diálogo, a negociação, a mediação e a conciliação.  Com o uso desses métodos alternativos ao Poder Judiciário, as empresas podem superar esse momento caótico e sobreviverem pós-pandemia.

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